A cerveja e o prendedor de roupa

Vamos falar do caso curioso de uma consumidora com uma reclamação contra uma garrafa de cerveja que teria no seu interior um prendedor de roupa. Pedimos que ela trouxesse a garrafa e realmente havia um prendedor de roupa. Chamamos a empresa, muito séria, de longa tradição em nossa cidade. A diretoria compareceu e observou a garrafa de cerveja, pediu para levar para análise, assinou um termo de Responsabilidade de Entrega com prazo de retirada e de devolução, para expedição do laudo técnico.

Passados 15 dias, a empresa telefonou comunicando que já estava com o laudo pronto e solicitou uma reunião. recebemos novamente a diretoria da empresa e qual não foi nossa surpresa com as explicações fornecidas. Demonstraram, primeiro, através de filme e fotografias, todo o processo de fabricação da cerveja e o consequente processo de envasamento, comprovando assim que no setor da serpentina, que leva o líquido até a garrafa não havia como, pelas suas curvas, passar um prendedor de roupas por ali.

Mostraram também que existe um índice médio do gás existente na garrafa quando ela é fechada dentro da empresa. Caso haja abertura da tampa, mesmo com o imediato fechamento, haverá uma diminuição de gás que extrapola esse índice. E ainda apresentaram, através de fotos, que existe na tampinha da garrafa, um verniz que só pode ser visto através de aparelho microscópico, porque esse verniz é uma das garantias que eles tem para evitar eventual adulteração com o intuito de se levar vantagem ilícita. Esse verniz apresentava-se rachado.

Após isso, foi chamada a consumidora que, pressionada, reconheceu que foi uma tentativa que bolou para “ganhar um dinheirinho extra”, pois estava passando necessidade e ouviu falar de alguns casos na imprensa. Explicamos que seu ato é classificado como infração, pois obter vantagem indevida para causar enriquecimento ilícito ao consumidor e empobrecimento indevido àquela empresa de grande porte é proibido.

Final da história: diante da consumidora simples, os diretores condoídos com a situação ainda deram para ela um engradado de garrafas de cerveja com a promessa dela de parar de atormentá-los e não voltar mais a perturbar o trabalho da empresa que perdeu muito tempo, horas de estudo e análises técnicas para poder esclarecer essa picaretagem. Reclamação improcedente!